Vento, vem bricá comigo
Di Vento-Não-Se-Pega-O-Vento-Pega.
Vamo brincá di pega-pega.
Vem vento, vem brincá comigo!
Vem dona Brisa i mi levanta como sementi esvoaçanti di planta.
Mi deixa ser pena di passarinho.
Vem!
Vem vento, vamo brincá di bagunçá folha seca.
Vamo brincá di fazê redumuinho.
Mi pegui pra que eu ti pegui também.
Mi leva Sêo Vento, e leva meus males.
Mi leva mar adentro, Sêo Vento.
Sopra quentinho quando eu durmí no relento.
Só não me leve a criança que dorme aqui dentro.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:12 PM
Da Injustificativa de Minha Existência
Eu?
Tanto existo quanto não existiria.
Que diferença faço?
Nenhuma:
Tanto sou quanto não seria.
Me identifico com tudo que é nada:
Existir é sobretudo limitação.
Existir às vezes é ser como um cão
Vira lata, de raça, ou de madame.
Existir é sobretudo cansaço.
Existir às vezes é ter a necessidade de sobreviver lhe puxando pelo braço.
Existir às vezes é sobreviver sem viver.
Existir às vezes é em vão.
O Vaso-de-Mim fez-se em cacos de esperanças-promessas.
Os Deuses o deixaram cair por terra.
Olharam:
Não era porcelana chinesa que os semi-deuses olham estupefados.
Os cacos ficaram no meio do nada sendo coisa nenhuma:
Os semi-deuses - vencedores na vida! - estavam belos, eficientes, ricos e atarefados.
Meus cacos? Sem justificativa para serem lembrados.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:54 AM
22.11.04
Bebum (Esquizofrênico)
( Questão de Probabilidade )
Esquizofrenia sólida contorcia-se como um verme ao chão
Sujo, e sujo estava com os olhos revirados no chão sujo.
Passei por ele, junto com a indiferença dos outros.
O Homem(?) no chão? Pobre Homem!
Perdia pra si mesmo,
Perdia pra vida,
Perdia a consciência de estar tudo perdido.
Perdia a sua humanidade,
E,
A si mesmo perdeu-se com certeza há muito tempo
( E eu me identifiquei com tudo isso:
Podia ser eu).
"Levanta pinguço!",
Gritou um que a minha indiferença desconhece.
Perguntei em mim,
Qual deles deveria mandar ao hospício, ou ambos.
Passei junto com a indiferença dos outros
(Incapaz),
Deixando a esquizofrenia, o desespero, a loucura, o fim que teima em não findar...
A Realidade-Alheia, contorcer-se em convulsão
( Talvez um vislumbre de meu amanhã sem manhã ).
Bebuns realmente incomodam.
Vai ver,
Tinha ele tomado alguns goles de Realidade
(Marca boa!).
"Deus, Deus meu!
Existe realidade no céu?
Merda!
Ainda estou lúcido!
Me deixe me embriagar de Realidade.
É no gargalo que eu quero.
Quero é no gargalo.
No gargalo!
NO GARGALOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!
No gargalo..., Com o rótulo de: "Realidade, Hoje-Sem-Futuro"."
Notei:
O significado de um bebum na rua é o mesmo de um cara ou coroa.
Alguém tinha que ser a própria agonia da Esquizofrenia-de-Rua contorcendo-se na calçada suja.
Alguém tinha que ser vadio e pedinte.
Alguém tinha que ser de rua, e da rua.
Alguém tinha que ser cervo do álcool.
Alguém tinha que sofrer as chagas da Realidade que nossa indiferença desconhece.
Alguém - indefinido - tinha que identificar-se comigo e ser também Um Grande Nada.
Alguém tinha que ser todas estas coisa, e um pouco mais também.
Como uma moeda no ar,
0 ou 1:
Questão de probabilidade.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
5:13 PM
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:54 PM
16.11.04
TENTEI LIVRAR-ME DE TI,
Mas,
Não consegui.
Tu me persegues.
Tentei afastar-me de ti.
Mas, não consegui.
Tentei apagar-te,
Tentei esquecer-te,
Dar um delete . . .
Mas, não consegui.
Tu me persegues, Tu me persegues, Tu me persegues . . .
Ó amor!, adentro em mim, Tu me persegues
( Ê lá! Me vem mais uma vez estúpida poesia de fundo - e tudo o mais - romântico ).
Tu me persegues:
A saudade de tudo o que não aconteceu
E,
Por isso, não deveria ter acontecido.
A saudade de teu corpo que nunca senti - de verdade.
A saudade de tudo o que não foi;
Esta saudade que não vai
( Saudades de ti ).
Tu me persegues.
Ontem estive no meio de gente.
Gente que não sabe que no coração do lado direito de meu crânio, Tu me persegues;
E que por uma coincidência que não sei,
Que inconscientemente te persigo.
Acho que não,
Tu és que não sai de minha cabeça:
Do coração do lado direito de meu crânio.
Porém,
O que importa, é que tudo não importa.
Ontem estive no meio de gente.
Gente que não sabe que Você existe,
E ainda assim,
Seguem existindo nas suas realidades sem a Tua existência.
Outra coisa também é que,
Prá muita gente também não existo,
E talvez para Você também.
Noutro dia cedo observei no cedo do dia cedo dois pássaros azuis.
Berravam agudamente - ou talvez cantavam -,
Competindo pelo - sem nexo - que Você sabe.
E dentro de minha mente...
Ora! ( com um dar de ombros ), a mente nunca mente:
No momento Tu não existias.
No momento da tua inexistência existiam dois pássaros azuis,
E mal sei eu se existia para eles.
Perguntei o significado a mim, de os pássaros cantarem e de se observar
Os pássaros cantarem.
Ora!, isso não tem significado algum
( Talvez como todo o resto ).
E sabe o que descobri?
A Realidade não depende de nós;
Da nossa existência.
Pouco me importo que por minha causa,
Tu me persegues nas sinapses.
Pouco me importa eu.
Pouco me importa tudo que assim como eu não é necessário.
Pouco me importa...
Vão para o Nada todas as coisas,
E vão sem mim.
Pouco me importa o amor que tenho por ti.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:04 AM
12.11.04
COISAS.
Coisas e coisas.
Coisas por fazer e coisas por não fazer,
E tudo isso, é ou são coisas e coisa da qual ou quais há ou não de se dizer.
Eu ouvi falar muita coisas sobre as coisas.
Também em meu tempo falei coisas sobre as coisas que tinha entendido.
Também uma coisa que sei, é que fazendo coisas, ou até muitas coisas,
Muitos sentem seu dever cá nesta terra cumprido.
Coisas.
Tudo o que se fala das coisas são coisas que se falam das coisas.
Tudo o que se pensa, e até o que não se pensa, é alguma coisa,
Porque nenhuma coisa é alguma coisa.
Compreendi muitas coisas,
E também compreendi que não compreendo muitas coisas.
Mas sei que o compreendimento é uma coisa que é o entendimento que se tem das coisas:
O entendimento também é uma coisa.
Tudo o que se fala - ou fala-se - e se pensa - ou pensa-se - das coisas são coisas.
Tudo é coisa:
Eu também sou só uma coisa.
O NADA é coisa também;
Talvez coisa do além
Das coisas.
Coisas...
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:51 AM
11.11.04
SOU O QUE SOU,
E sabes quem sou?
Sou a Mônada,
Essência inconsciente-materna de Deus
A essência divina de todas as coisas,
Da união dos corpos, e
Do choro da criança ao nascer.
Sou Gaya, a própria Terra.
Sou o próprio Deus.
Sou-a e amo-te humanidade.
Não sou a onisciência:
Tão inconsciente quanto ti,
Tornei-me homem e morri por ti,
Porque amo-te,
E amar é ter o outro em nós,
Ainda que eu esteja em ti,
E suas consciências sejam a minha consciência,
Pois sou inconsciente e não onisciente.
Comemorem a minha morte, símbolo do meu amor,
E não meu nascimento.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!
Amo-te humanidade,
E onde foi que me perdi?
Me perdi em ti e por ti.
Tu que estás tão perdida ( Por favor, cuidai de vossos filhos!).
Minhas palavras são contraditórias,
Sou Deus e não sou Deus.
Porque sou homem, mulher e criança.
Porque sou-te humanidade.
E porque sou-te,
Porque a amo,
Quero estar em ti.
Porque não sou divino além do divino que há em vocês.
Sou o Numinoso, tão só uma idéia que vocês fazem,
E quero que a metáfora de meus lábios encontre os seus,
E quando viverem em paz,
Não haver mais guerra, violência, fome...
Seremos O UM:
Seremos amor.
*Nota: O eu lírico deste poema é a idéia que fazemos de divindade, a nossa próprio crença num Numinoso, que por ser nossa, podemos afirmá-la como uma parte de nós mesmos; e se é parte, é também todo - ao menos em parte. Se quiserem de uma outra forma - que no fundo dá na mesma -, digam que o eu lírico é Deus.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:43 AM
9.11.04
O FLORIR do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos. . .
O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da estrangeira rápida. . .
O olhar de interesse da criança trazida pela mão
Da mãe distraída. . .
As palavras de episódio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem. . .
Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados. . .
Caminho sem fim. . .
(****** ** ****** )
Quem é o autor?
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:22 AM
8.11.04
Poema - do amor - errado
,etnemlicebmI
,etnemlitunI
,etnem e amla, adiv ahnim adot eD
,etnemadassapnocsed retab a oãçaroc uem o moC
.etnemecod oma eT
<= ... erpmes araP
( etnezuler sasa-mes-mibureuq ueM ) <=
.etnemanretE
(Imbecilmente)
(Inutilmente)
(De toda minha vida, alma e mente)
(Como o meu coração a bater descompassadamente)
(Te amo docemente)
(Para sempre)
(Meu querubim-sem-asas reluzente)
(Eternamente)
Poema de: Frank Leber
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:58 AM
4.11.04
Não te quero dizer
Não te quero,
Porque ainda na verdade indita
( Maldita verdade indita! ),
Eu ainda
Te quero.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:13 AM